Resposta direta
A portaria e a zeladoria terceirizadas são serviços de apoio predial em que uma empresa fornece profissionais para controlar o acesso, atender moradores e visitantes e acompanhar a conservação do prédio. Fazem parte do eixo de terceirização deste site, junto com jardinagem e copa e recepção, e são contratadas principalmente por condomínios e empresas. Na classificação oficial de atividades do IBGE, os serviços combinados para apoio a edifícios aparecem em atividade própria, distinta da limpeza em prédios, o que indica que se trata de um serviço diferente. Esta página explica o que costuma estar no contrato, os cuidados com a relação de trabalho, os fatores de preço e o que perguntar.
O que o serviço envolve
A portaria cuida da entrada: identificação de visitantes, registro de prestadores, recebimento de encomendas, atendimento ao interfone, acionamento da administração em caso de ocorrência. A zeladoria cuida do dia a dia do prédio: ronda de áreas comuns, acompanhamento de pequenas manutenções, verificação de luzes, portões e equipamentos, e comunicação de problemas ao síndico. Em condomínios menores, uma só pessoa pode acumular as duas funções, desde que o contrato diga isso.
O que o contrato precisa deixar claro é o posto: horário, escala, tarefas, ponto de contato da empresa, regras de substituição. Um posto 24 horas exige mais de um profissional por causa das escalas e das folgas. O contrato que descreve só "portaria" sem escala deixa em aberto o custo real e a cobertura.
Quando costuma ser contratado
- Na entrega de um prédio novo, quando o condomínio ainda não tem equipe.
- Quando a assembleia decide trocar funcionários próprios por terceirização, ou o contrário.
- Na troca de empresa, por término de contrato ou por insatisfação.
- Quando há mudança de modelo, como portaria remota, portaria mista ou ampliação de turnos.
- Para cobrir férias e faltas de funcionários próprios.
- Em empresas e clínicas, para recepção e controle de acesso ao prédio.
Para quem é
Condomínios residenciais e comerciais, edifícios corporativos, clínicas, escolas e conjuntos de salas. A decisão costuma passar pela assembleia, e o contrato deve respeitar a convenção. Em condomínios pequenos, um posto diurno pode bastar. Em condomínios grandes, pode haver vários postos, com supervisão e relatório mensal.
Relação de trabalho e desvio de função
Este é o ponto que mais exige atenção. A Lei 6.019/1974 define que a empresa prestadora de serviços contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores. O condomínio contratante indica o escopo, mas ordens diretas aos profissionais, controle de jornada pelo síndico e acúmulo de tarefas fora do contrato podem ser questionados como relação de trabalho direta, e por isso exigem cuidado. A mesma lei veda ao contratante usar os trabalhadores em atividades distintas das que foram objeto do contrato. Na prática, pedir ao porteiro que limpe o hall ou que cuide do jardim, se isso não está no contrato, é desvio de função.
A solução é contratar cada atividade de forma explícita, com posto e escopo descritos, e canalizar as solicitações pelo supervisor da empresa. A página responsabilidade do contratante na terceirização trata o tema em termos gerais. Este site não analisa casos concretos, e dúvidas sobre uma situação específica devem ir a advogado ou ao sindicato da categoria.
Como o preço é formado
O site não publica valores. Os fatores mais comuns são:
- Número de postos e horas por dia o fator de maior peso.
- Escala e cobertura de folgas um posto 24 horas pede mais profissionais.
- Turnos noturno, fim de semana e feriado costumam ter condição própria.
- Encargos e benefícios do trabalhador, que a empresa incorpora ao preço.
- Treinamento, uniforme e equipamentos fornecidos.
- Supervisão visitas do supervisor e relatório.
- Tecnologia sistemas de controle de acesso, quando fornecidos pela empresa.
- Impostos e retenções na nota fiscal, que variam conforme o enquadramento. A página quanto custa uma empresa de limpeza explica a lógica de retenção.
Uma proposta muito abaixo das demais pode ter cobertura menor ou encargos não considerados. Sem ver o contrato, não dá para afirmar nada sobre uma empresa específica, mas o contratante pode pedir a abertura dos fatores.
O que perguntar no orçamento
- Quantos profissionais compõem o posto e como é a escala?
- Quem cobre folgas, férias e faltas, e em quanto tempo?
- Quais tarefas entram no posto e quais ficam de fora?
- Como é o treinamento e que experiência a equipe tem com o perfil do prédio?
- Quem é o supervisor e com que frequência visita o condomínio?
- A empresa apresenta CNDT, CRF e CND federal e se compromete a renová-los? Veja certidões para contratar terceirizada.
- Como funcionam reajuste, aviso prévio e rescisão do contrato?
Como comparar propostas
Para comparar, converta cada proposta em uma tabela de postos: quantos profissionais, em quais dias e horários, com que folgas e quem cobre. Duas propostas com o mesmo valor mensal podem ter coberturas diferentes. Pergunte também como funciona a substituição em caso de falta no mesmo dia: se a empresa mantém um profissional de reserva ou se a cobertura demora. Em portaria, uma ausência de poucas horas já é um problema de segurança e de rotina do prédio.
Peça ainda o modelo de relatório mensal, o contato do supervisor e o procedimento em ocorrências graves. Essas informações mostram como a empresa trabalha, mais do que o valor. Se o condomínio já tem uma empresa e pensa em trocar, defina com antecedência o prazo de transição, a entrega de chaves, de livros de ocorrência e de cadastros de moradores, para que o serviço não seja interrompido.
Tipos de contratante
- Residencial
- Comercial
- Condomínio
- Industrial
- Órgão público
Condomínios residenciais costumam decidir em assembleia, com síndico e conselho. Condomínios comerciais e empresas decidem pela administração. Órgãos públicos contratam por licitação. Em todos os casos, o ideal é que um único responsável fale com a empresa, para evitar instruções conflitantes aos profissionais.
Serviços relacionados
Quem contrata portaria costuma avaliar também a limpeza de condomínio, a copa e recepção e a jardinagem e conservação. Para encontrar empresas da sua cidade, use a página inicial. Sobre contratos, veja também o que olhar no contrato de limpeza.
Dúvidas frequentes
O que é posto de serviço em portaria?
É a posição fixa de um profissional da empresa no condomínio, com horário, escala e tarefas definidos. Um posto 24 horas costuma exigir mais de um profissional, por causa das escalas e das folgas.
Portaria e zeladoria são a mesma coisa?
Não. A portaria controla acesso e comunicação. A zeladoria acompanha a conservação do prédio. As duas podem ser contratadas juntas, mas o contrato deve descrevê-las separadamente.
Quem manda no porteiro, o condomínio ou a empresa?
A lei diz que a empresa prestadora contrata, remunera e dirige o trabalho dos seus trabalhadores. O condomínio indica o que precisa, mas ordens diretas aos profissionais podem gerar problemas de relação de trabalho.
O porteiro pode também limpar o hall?
Se a limpeza não está no contrato do posto, é desvio de função, que a lei veda ao contratante. Se o condomínio quer os dois serviços, deve contratá-los de forma explícita.
Portaria remota substitui a presencial?
É um modelo diferente, com tecnologia e central de monitoramento. A decisão envolve custo, segurança e perfil do prédio, e deve ser discutida em assembleia.
O que a lei e a fonte dizem, nas palavras delas
- IBGE CNAE 8121-4/00
- os serviços combinados para apoio a edifícios (8111-7/00)
- Lei 6.019/1974art. 5º-A
- É vedada à contratante a utilização dos trabalhadores em atividades distintas
- Lei 6.019/1974art. 4º-A
- contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores
Fontes oficiais consultadas
Texto conferido nas fontes oficiais em 14 de outubro de 2026. Erro ou dúvida: informe aqui.